Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Schottische Lieder
- O might I but my Patrick love!
- Sally in our alley

Volkslieder op. 108
- Air Russe
- Canzonetta Veneziana
- Tyroler
- Cancion
- Schwedisches Wiegengenlied
- Bolero


Estas canções integram um dos lados menos conhecidos da obra de Beethoven. São 133 canções – 127 delas escocesas, irlandesas e galesas, além de três inglesas e três italianas – que o compositor harmonizou por encomenda de um empresário musical escocês chamado George Thomson. Este pensou primeiro em Haydn – que estivera por duas vezes com muito sucesso na Inglaterra durante os anos 90 do século 18, mas o autor da “Criação” já estava velho demais para este tipo de encomenda. Depois de negociações difíceis – Beethoven pediu muito dinheiro -, acertou-se o passo entre eles em 1810. Não se trata de trabalho apressado, já que Beethoven levou mais de cinco anos, até 1816, para escrevê-las. Ele escreveu na página de rosto da partitura das canções a expressão “con amore”, testemunhando o seu real empenho. E repetiu-a na carta a Thomson que enviou junto com as partituras: “Eis as árias escocesas que compus, a maior parte con amore, desejando mostrar um sentimento de estima à nação escocesa e inglesa cultivando suas canções nacionais”.

O toque de originalidade – o acompanhamento por um trio de violino, piano e violoncelo – atendeu a um pedido de Thomson. Decidido a divulgar as belas canções populares de seu país nos mais seletos salões do Império Britânico, escreveu ao compositor nestes termos: “Desejo formar uma coleção de todas as belas canções, tanto as tristes quanto as alegres, com o mais adequado e refinado acompanhamento”. O uso do trio por Beethoven equilibra sabiamente o interesse por este volumoso conjunto de canções: de um lado, piano-violino-violoncelo permitem a fatura de música instrumental da mais elevada qualidade, e de outro não se perde o original caráter popular, graças às populares linhas melódicas e às letras acessíveis.

Em seu diário, o compositor anota, em 1814: “As canções escocesas nos mostram como, graças à harmonia, a melodia mais fantasiosa pode ser tratada abandonando-se aos caprichos da inspiração”. Coincidentemente, as escocesas – entre elas “Sally in our Alley”, que leva a indicação “Andante con molto grazioso e semplice assai” – foram as mais apreciadas pelos contemporâneos do compositor. Sobretudo o público de língua alemã tomou-se de amores por elas.

Terminado o trabalho, Beethoven tomou gosto e harmonizou no mesmo estilo outro grupo de canções populares de vários países. Sua volta ao mundo incluiu canções espanholas (de que é exemplo o “Bolero”), italianas (“Canzonetta Veneziana”), uma canção de ninar sueca (“Schewedisches Wiegengenlied”). Entre as canções que ouviremos hoje está também uma “Air Russe”, que pertence a outro período criativo de Beethoven, pois é contemporânea da composição dos Quartetos opus 59, ditos Razumovski, opus 59 (1806-9).

 

João Marcos Coelho.

Esta obra será interpretada por Barbara Hendricks, Christian Bergqvist, Torleif Thedéen e Love Derwinger em Porto Alegre (18 de Setembro), São Paulo (19, 23 e 24 de Setembro) e Rio de Janeiro (22 de Setembro).