F. Poulenc (1898-1963)

 

– Sonata para clarineta e piano
- Allegro Tristamente
- Romanza
- Allegro con fuoco


Como Saint-Saëns e Debussy, Poulenc também concluiu sua trajetória criativa compondo música de câmara. O primeiro escreveu sonatas para oboé, clarineta e fagote, enquanto Debussy compôs uma sonata para violino. Poulenc iniciou o ano de 1962 compondo em abril esta sonata que ouviremos hoje; e dois meses depois outra para oboé. Mais uma coincidência já apontada por estudiosos: a sonata para clarineta de Saint-Saëns foi escrita no mesmo ano em que Poulenc iniciava sua carreira, após a Primeira Guerra Mundial.

Dedicada ao compositor suíço Arthur Honegger, seu companheiro no famoso Grupo dos Seis – que incluía ainda Georges Auric, Germaine Talleiferre, Louis Durey e Darius Milhaud -- esta sonata de certo modo sintetiza a filosofia dos Seis, que visava criar música sem complicações e capaz de absorver todos os sons, incluindo os ligeiros como o jazz, o music-hall e a música popular.

E sobretudo o credo de Poulenc, que alia sem pudor o swing e as melodias redondas típicas da música popular (no Allegro con fuoco, por exemplo) a uma escrita que evoca o romantismo alemão (Allegro tristamente) e se espraia na melancólica melodia da “Romanza.”

Não por acaso, a estréia mundial da obra aconteceu em 10 de abril de 1963 com dois intérpretes norte-americanos que vestiram a camisa do Grupo dos Seis nos anos 60: ao piano, Leonard Bernstein, à clarineta o rei do swing, Benny Goodman. O cenário, o Carnegie Hall de Nova York. Pena que Poulenc não tenha curtido uma estréia tão badalada (ele morreu em 30 de janeiro).

30 agosto - 04 de setembro
Elizabeth Vidal soprano,
Michel Lethiec clarineta,
Christian Ivaldi piano (França)