Como Saint-Saëns e Debussy, Poulenc também
concluiu sua trajetória criativa compondo música de
câmara. O primeiro escreveu sonatas para oboé, clarineta
e fagote, enquanto Debussy compôs uma sonata para violino.
Poulenc iniciou o ano de 1962 compondo em abril esta sonata que
ouviremos hoje; e dois meses depois outra para oboé. Mais
uma coincidência já apontada por estudiosos: a sonata
para clarineta de Saint-Saëns foi escrita no mesmo ano em que
Poulenc iniciava sua carreira, após a Primeira Guerra Mundial.
Dedicada ao compositor suíço Arthur Honegger, seu
companheiro no famoso Grupo dos Seis – que incluía
ainda Georges Auric, Germaine Talleiferre, Louis Durey e Darius
Milhaud -- esta sonata de certo modo sintetiza a filosofia dos Seis,
que visava criar música sem complicações e
capaz de absorver todos os sons, incluindo os ligeiros como o jazz,
o music-hall e a música popular.
E sobretudo o credo de Poulenc, que alia sem pudor o swing e as
melodias redondas típicas da música popular (no Allegro
con fuoco, por exemplo) a uma escrita que evoca o romantismo alemão
(Allegro tristamente) e se espraia na melancólica melodia
da “Romanza.”
Não por acaso, a estréia mundial da obra aconteceu
em 10 de abril de 1963 com dois intérpretes norte-americanos
que vestiram a camisa do Grupo dos Seis nos anos 60: ao piano, Leonard
Bernstein, à clarineta o rei do swing, Benny Goodman. O cenário,
o Carnegie Hall de Nova York. Pena que Poulenc não tenha
curtido uma estréia tão badalada (ele morreu em 30
de janeiro).
30
agosto - 04 de setembro
Elizabeth Vidal soprano,
Michel Lethiec clarineta,
Christian Ivaldi piano (França)
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