Saint-Saëns pertence à linhagem dos
compositores que Noske, autor de belo livro sobre a melodia francesa,
chama de “instrumentalistas”. Isto é, ele, como
Lalo, Franck e Castillon, “eram mestres da sinfonia, da sonata,
do concerto, e como tais inauguraram o renascimento da música
instrumental na França” (...) e consequentemente “elevaram
a melodia ao nível da música de câmara”,
pavimentando o caminho para mestres da canção como
Fauré e Duparc”.
De fato, Saint-Saëns foi um dos primeiros a eliminar da melodia
seu caráter teatral ligeiro e a trouxeram para os saraus
combinando música de câmara instrumental com canções
e melodias. Ele tinha justas veleidades literárias –
e assim como fizeram Gounod, Ravel e Debussy também musicou
os próprios versos. É o caso de “Guitares et
Mandolines”, de 1890.
Ambas as canções evocam, como diz Fauré, “a
calma de regiões serenas como Champs-Elysées, onde
a violência e os paroxismos são desconhecidos, onde
coabitam a austeridade, o charme e a ternura”. Sentimentos
médios, conclui o seu mais famoso aluno.
30
agosto - 04 de setembro
Elizabeth Vidal soprano,
Michel Lethiec clarineta,
Christian Ivaldi piano (França)
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