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Além de notável compositor, Robert Schumann exerceu com empenho
e notável competência a crítica musical. Fundou uma revista para
nela lutar por seus ideais com plena independência. Foi um dos primeiros
a resgatar criadores do passado como Bach, Mozart, Beethoven, Weber
e Schubert; detectou precocemente o gênio de Brahms e batalhou muito
pela música nova de seu tempo, na primeira metade do século 19.
Música nova, naquele momento, significava defender jovens compositores
como Chopin, Berlioz, Liszt e Felix Mendelssohn.
Pois em sua revista Schumann foi enfático a respeito deste primeiro
trio de Mendelssohn que ouviremos hoje, composto em 1839: "É a obra-prima
de hoje, assim como foram, em seu tempo, os trios em si bemol e
em ré maior de Beethoven; e também o trio em mi bemol de Schubert;
trata-se de uma encantadora composição que durante muitos anos vai
deliciar nossos netos e bisnetos". O elogio rasgado foi feito logo
após Schumann ter assistido a uma execução do trio com o próprio
Mendelssohn ao piano.
De todo modo, a comparação com os trios de Beethoven e Schubert
pode soar generosa demais para com Mendelssohn, tido e havido como
mestre menor, não só por seus contemporâneos, mas sobretudo pela
posteridade, até os dias atuais.
É contra este preconceito que Schumann já se levantava. E explicou
com engenho e arte sua posição. As criações de Mendelssohn não oferecem
tantas dificuldades técnicas quanto as de Beethoven ou Schubert;
mas isso não as diminui. Pelo contrário, "ele é o Mozart do século
19", proclama Schumann. E diz as razões: "Ele é o mais brilhante
entre os músicos; o único que enxergou claramente as contradições
de seu tempo, e o primeiro a harmonizá-las".
Coincidência: o primeiro movimento, Molto allegro agitato, evoca,
pela tonalidade ré menor, as síncopes e a turbulência, o início
do "Concerto K. 466" de Mozart. Mas em seguida, o violoncelo emite
uma daquelas melodias tipicamente mendelssohnianas: elegante e exalando
uma paixão contida. O Andante é praticamente um romance sem palavras
de notável serenidade. O vertiginoso scherzo não poderia ser mais
característico, enquanto o Finale utiliza a sexta napolitana e elege
o piano como instrumento concertante por excelência do grupo.
25 e 26 de junho
Jerusalem Trio
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