Felix Mendelssohn (1809-1847)
Trio nº 1 em ré menor, op. 49

 

Molto allegro agitato
Andante con moto tranquillo
Scherzo: leggiero e vivace
Finale: Allegro assai appassionato


Além de notável compositor, Robert Schumann exerceu com empenho e notável competência a crítica musical. Fundou uma revista para nela lutar por seus ideais com plena independência. Foi um dos primeiros a resgatar criadores do passado como Bach, Mozart, Beethoven, Weber e Schubert; detectou precocemente o gênio de Brahms e batalhou muito pela música nova de seu tempo, na primeira metade do século 19. Música nova, naquele momento, significava defender jovens compositores como Chopin, Berlioz, Liszt e Felix Mendelssohn.

Pois em sua revista Schumann foi enfático a respeito deste primeiro trio de Mendelssohn que ouviremos hoje, composto em 1839: "É a obra-prima de hoje, assim como foram, em seu tempo, os trios em si bemol e em ré maior de Beethoven; e também o trio em mi bemol de Schubert; trata-se de uma encantadora composição que durante muitos anos vai deliciar nossos netos e bisnetos". O elogio rasgado foi feito logo após Schumann ter assistido a uma execução do trio com o próprio Mendelssohn ao piano.

De todo modo, a comparação com os trios de Beethoven e Schubert pode soar generosa demais para com Mendelssohn, tido e havido como mestre menor, não só por seus contemporâneos, mas sobretudo pela posteridade, até os dias atuais.

É contra este preconceito que Schumann já se levantava. E explicou com engenho e arte sua posição. As criações de Mendelssohn não oferecem tantas dificuldades técnicas quanto as de Beethoven ou Schubert; mas isso não as diminui. Pelo contrário, "ele é o Mozart do século 19", proclama Schumann. E diz as razões: "Ele é o mais brilhante entre os músicos; o único que enxergou claramente as contradições de seu tempo, e o primeiro a harmonizá-las".

Coincidência: o primeiro movimento, Molto allegro agitato, evoca, pela tonalidade ré menor, as síncopes e a turbulência, o início do "Concerto K. 466" de Mozart. Mas em seguida, o violoncelo emite uma daquelas melodias tipicamente mendelssohnianas: elegante e exalando uma paixão contida. O Andante é praticamente um romance sem palavras de notável serenidade. O vertiginoso scherzo não poderia ser mais característico, enquanto o Finale utiliza a sexta napolitana e elege o piano como instrumento concertante por excelência do grupo.

25 e 26 de junho
Jerusalem Trio