Joseph Haydn (1732-1809)
Trio nº 32 em lá maior Hob. XV.18

 

Allegro moderato
Andante
Allegro


Haydn é o compositor que mais escreveu para a formação piano-violino-violoncelo. No total, 39 obras, distribuídas desde a juventude até a plena maturidade, que só são ultrapassadas, em número, pelos 58 quartetos de cordas (contados a partir do opus 9). Apesar do volume, os trios não são tão conhecidos quanto os quartetos, até porque ainda são concebidos na prática como sonatas para piano com acompanhamento de violino e violoncelo. Este último quase sempre limita-se a dobrar a mão esquerda do pianista, o que reduz bastante o interesse dos violoncelistas por esse repertório. E ao violino resta ocupar os poucos espaços deixados pelo onipotente piano.

Em compensação, Haydn coloca todo o seu poder de invenção nas partes de piano - e pode-se até fazer um paralelo dos trios com as sonatas para piano solo, em termos de evolução estilística do compositor num período de cerca de meio século.

O Trio que ouviremos hoje foi composto por Haydn na década de 1790, fase na qual sua escrita absorveu o impacto de duas estadas longas em Londres (em 1791 e 1794/95). Daquele momento em diante, Haydn passou a compor de olho em públicos mais amplos - e não mais para a reduzida corte dos Esterhazy, emprego que conservou por mais de trinta anos. A música soa, então, mais ambiciosa, e os efeitos sonoros multiplicam-se. Até porque o trio nº 32, publicado no final de 1794 junto com dois outros trios, integra o primeiro grupo de obras nas quais Haydn pensa em instrumentos específos: os pianofortes ingleses, mais robustos e encorpados em relação aos vienenses com os quais se habituara.

Os três majestosos acordes iniciais do piano no Allegro moderato evocam o impacto que os instrumentos londrinos provocaram no compositor. No Andante, ele contrasta escancaradamente a tonalidade principal - o lá maior - com sua relativa menor, o lá menor. E o final, que se popularizou a tal ponto que Haydn fez dele uma versão para piano solo, é chamado pelo musicólogo Marc Vignal de "polonaise à húngara". Ou seja: um rondó híbrido onde despontam três refrões que evocam melodias populares.

25 e 26 de junho
Jerusalem Trio