| Alma gêmea da sexta sinfonia, também
apelidada de "Pastoral", esta sonata foi composta em 1801
e dedicada ao diretor do Teatro de Viena Joseph von Sonnenfels,
e por isso é também chamada pelos alemães de
"Sonnenfels-Sonate". Publicada no ano seguinte com o título
pomposo de "Grande Sonate pour le piano-forte", assim
mesmo, em francês, só ganhou o apelido famoso em 1838,
atribuído pelo editor Cranz, de Hamburgo (o mesmo que apelidou
também a sonata opus 57 de "Appassionata").
Segundo testemunho de Carl Czerny, que estudou com Beethoven justamente
neste período, entre 1801 e 1803, o "Andante" permaneceu
por muito tempo como um dos trechos favoritos de Beethoven. Ele
chegou a reeditar, em 1829, uma versão mais curta, incluída
num método de piano. Apesar disso, sempre segundo depoimento
do ex-aluno, ele declarou logo após a publicação
da sonata que "não estou satisfeito com o que escrevi
até agora; daqui para a frente, vou mudar de rumo".
De certo modo, a sonata opus 28 é um ponto de chegada num
percurso que acabara de incluir a romanticamente célebre
sonata "Ao Luar", opus 27 e agora desembocava em seu amor
pela natureza, muitas vezes repetido nestes termos: "Que alegria
poder andar a esmo pelos bosques, entre as árvores, a relva
e os rochedos. Ninguém ama mais a natureza do que eu".
Bem, a partir desta profissão de fé ecológica
pode-se fazer uma leitura interessante da sonata. No início
do Allegro, por exemplo, a nota ré repetida três vezes
no primeiro compasso vai além de simplesmente estabelecer
a tônica: prepara uma atmosfera. Repetida durante vinte compassos,
é uma linha de horizonte. Imagine um estudioso, sob a bela
frase do primeiro tema, em seguida retomada oitava acima. Pode-se
seguir nesta linha indefinidamente. Porém é mais gratificante,
dadas as pistas iniciais, seguir com ouvidos alertas esta declaração
de amor à natureza de Beethoven.
23
- 26 de setembro
Abdel
Rahman El Bacha,
piano (Líbano/França)
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