J. S. Bach

Contrapunctus I-II-III
Canon XV (Duo para violino e violoncelo)

G. Kurtag

12 Microludes

J. S. Bach

Contrapunctus IV-VI-IX

G. Kurtag

Ligatura/ Homage a J.S. Bach (Trios para violino, viola e violoncello)
Flowers for Szygmondy (Trios para violino,
viola e violoncelo)

J. S. Bach

Canon XIV (Duo para violino e violoncelo)

G. Kurtag

Aus der Ferne III

J. S. Bach

Canon XVII (Duo para violino e violoncelo)

J. S. Bach

Contrapunctus XI

G. Kurtag

Officium Breve op. 28

J. S. Bach

Contrapunctus XVIII (inacabado)

G. Kurtag

Ligatura ( Dois violinos)


Bach: ars perfecta

Ars perfecta – arte perfeita. A expressão foi utilizada pelo italiano Alberto Basso, um dos mais qualificados especialistas na obra de Johann Sebastian Bach, para designar a "Arte da Fuga", um conjunto de fugas e cânones que visam ilustrar a arte e a técnica do contraponto, sem especificação nenhuma de instrumentação.

Bach elevou ao clímax, em sua obra, o domínio do contraponto, historicamente surgido com os motetos do Renascimento e as peças instrumentais dos séculos 16 e 17, como o "ricercare", a "canzona" e a "fantasia". Esta técnica de composição conjuga, em planos diferentes, duas, três ou mais melodias de naturezas diferentes, que devem combinar harmonicamente entre si, mas mantendo-se independentes. É a arte por excelência da escrita musical horizontal, da qual o exemplo mais acabado é a fuga. Nesta última, a idéia melódica ou tema é tratado por várias "vozes" (usa-se a palavra aplicada à música instrumental) que se sobrepõem em seqüência, até construir ricas texturas sonoras.

"A Arte da Fuga" foi publicada inacabada em 1751, um ano após a morte do compositor, mas parece ter sido em grande parte escrita em 1742 – o que indica que não foi a morte que a interrompeu, mas, sim, uma decisão pessoal de Bach. Desde seu surgimento, a "Arte da Fuga" vem causando polêmica por causa da ausência de indicativos de instrumentação. Existem atualmente dezenas de versões diferentes, do cravo a grupos de câmara maiores – mas, ao que tudo indica, a mais adequada transformação dessa genial partitura abstrata em sons parece mesmo ser a de um quarteto de cordas.

O título "A Arte da Fuga" não é de Bach. Foi acrescentado pelo mesmo editor, em 1751, que publicou uma apresentação de um dos filhos do compositor, Carl Philipp Emanuel. Este escreve que "os amigos da musa consideraram oportuno acrescentar, a título de conclusão, um coral que meu pai, já cego, ditou de sua cama para um amigo".

Na segunda edição, do ano seguinte, Marpurg, conhecido teórico da música do século 18, assinou um texto virulento de apresentação, lamentando que "a música contemporânea se mostre tão pouco aberta a esta forma severa, e historicamente tão gloriosa, que é a fuga". E aproveitou a ocasião, segundo Basso, para xingar de "efeminada a produção musical de seu tempo, que já havia se decidido pelo estilo rococó". De fato, as quatro primeiras edições da "Arte da Fuga" venderam apenas 30 exemplares. Não se trata, entretanto, de música fora de moda, naquele meio de século 18 – mas de um dos exemplos de mais pura e abstrata criação musical de todos os tempos.

"Esta obra", diz Basso, "é antes de tudo a manifestação da música que se desbasta, reduzindo-se ao essencial e ao indispensável, sob a perspectiva da delicadeza e da intimidade. É música que se organiza de forma tão pura que o som parece imperceptível aos sentidos, inefável, suas estruturas únicas, gratuitas como um jogo, seu significado misterioso e oculto como uma fórmula alquímica".

21 - 23 de outubro
Quarteto Keller cordas
(Hungria)
András Keller, violino
Janós Pilz, violino
Zoltán Gál, viola
Peter Somodari, violoncelo