Sergei Prokofieff (1891-1953)
Quarteto no. 2 em fá maior, opus 92

 

Allegro sostenuto
Adagio
Allegro


Composto em 1941/2, este quarteto nasceu como encomenda de um oficial russo dirigente da cidade de Nalchik, capital da República Socialista de Kabardino, na região do Cáucaso. Prokofieff havia sido evacuado de Estalingrado, que sofria uma ofensiva do exército nazista. A "sugestão" foi prontamente aceita pelo compositor, que retornara à União Soviética em 1938, depois de um exílio voluntário de quinze anos, e desejava adequar-se, digamos, à cultura oficial de seu país.

Este quarteto, por isso mesmo, privilegia e enfatiza com clareza o aproveitamento do folclore. "A combinação deste folclore autêntico oriental ainda virgem", previu Prokofieff com acerto, "com a mais clássica das formas instrumentais, que é o quarteto de cordas, deve proporcionar resultados interessantes e inesperados". Ou seja, a obra justapõe o severo universo musical do compositor com a esfuziante explosão de ritmos e canções folclóricas da região do Cáucaso.

Assim, o primeiro movimento em forma sonata contrasta duas canções folclóricas; o Allegro final em rondó propõe já na abertura uma extrovertida dança montanhesa ("Getigezev Ogorbi"). E, no adagio intermediário, anota o musicólogo inglês Paul Griffiths, Prokofieff limita-se praticamente a transcrever a melodia de uma bela canção de amor do folclore caucasiano.

O oficial que "sugeriu" a obra foi morto em combate naquele 1941, mas a obra foi concluída e estreada no ano seguinte, na sala pequena do Conservatório de Moscou. Os luminares do Partido detestaram as "harmonias bárbaras" e os timbres "inutilmente estridentes". Pois foram justamente estes detalhes que construíram o sucesso do quarteto junto aos músicos e ao público.

João Marcos Coelho

11 e 12 de junho
Quarteto Prazak