|
Composto em 1941/2, este quarteto nasceu como encomenda de um oficial
russo dirigente da cidade de Nalchik, capital da República Socialista
de Kabardino, na região do Cáucaso. Prokofieff havia sido evacuado
de Estalingrado, que sofria uma ofensiva do exército nazista. A
"sugestão" foi prontamente aceita pelo compositor, que retornara
à União Soviética em 1938, depois de um exílio voluntário de quinze
anos, e desejava adequar-se, digamos, à cultura oficial de seu país.
Este quarteto, por isso mesmo, privilegia e enfatiza com clareza
o aproveitamento do folclore. "A combinação deste folclore autêntico
oriental ainda virgem", previu Prokofieff com acerto, "com a mais
clássica das formas instrumentais, que é o quarteto de cordas, deve
proporcionar resultados interessantes e inesperados". Ou seja, a
obra justapõe o severo universo musical do compositor com a esfuziante
explosão de ritmos e canções folclóricas da região do Cáucaso.
Assim, o primeiro movimento em forma sonata contrasta duas canções
folclóricas; o Allegro final em rondó propõe já na abertura uma
extrovertida dança montanhesa ("Getigezev Ogorbi"). E, no adagio
intermediário, anota o musicólogo inglês Paul Griffiths, Prokofieff
limita-se praticamente a transcrever a melodia de uma bela canção
de amor do folclore caucasiano.
O oficial que "sugeriu" a obra foi morto em combate naquele 1941,
mas a obra foi concluída e estreada no ano seguinte, na sala pequena
do Conservatório de Moscou. Os luminares do Partido detestaram as
"harmonias bárbaras" e os timbres "inutilmente estridentes". Pois
foram justamente estes detalhes que construíram o sucesso do quarteto
junto aos músicos e ao público.
João Marcos Coelho
11 e 12 de junho
Quarteto Prazak
|