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O quarteto opus 127, que abre a impressionante sequência dos seis
quartetos finais de Beethoven até a "Grande Fuga", quebrou um jejum
de doze anos em que o compositor permaneceu afastado do gênero.
Depois do "Quartetto Serioso" opus 95, de 1810, Beethoven voltou-se
para as sonatas para piano opus 90, 101 e 106, e as duas de violoncelo
opus 102 no período 1813-1819.
A opus 106, "Hammerklavier", inaugura, na verdade, a última e mais
formidável revolução beethoveniana. Na década de 20 do século 18
nascem consecutivamente a "Nona Sinfonia", a "Missa Solemnis" e
os seis últimos grandes quartetos.
Três deles foram concluídos no mesmo ano, 1825: este opus 127 que
hoje ouviremos em fevereiro, o opus 132 em julho e o opus 130 em
novembro. E o motivo foi prosaico. Beethoven atendeu a uma encomenda
do príncipe Nicholas Galitzin de São Petersburgo, feita em 1822.
Aos 27 anos, o nobre russo adorava a santa trindade vienense formada
por Haydn, Mozart e Beethoven. Violoncelista, chegou a transcrever
para quinteto de cordas com piano todas as sonatas para piano de
Beethoven.
O violinista Schuppanzigh quis estrear a obra em Viena, mas teve
as partes disponíveis apenas duas semanas antes do concerto marcado
para 6 de março de 1825. Foi um fracasso, devido em parte à execução
claudicante do quarteto. Irritadíssimo com isso, Beethoven substituiu
Schuppanzigh por outro violinista, Joseph Böhm. No final de março,
Böhm, acompanhado pelos três remanescentes da estréia, interpretou
duas vezes o opus 127 no mesmo concerto, com melhor receptividade.
Böhm seguiu, aliás, o conselho de Beethoven: "É preciso ouvi-lo
muitas vezes".
Com atenção e uma audição ativa, pode-se constatar na interpretação
ao vivo a força e o impacto de tamanhas novidades estruturais no
ato de sua recriação. Em todo caso, o opus 127 é mesmo obra que
exige, como aliás todos os quartetos da última fase, repetidas audições
para uma adequada compreensão.
11 e 12 de junho
Quarteto Prazak
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